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O impacto das redes sociais na autoestima do idoso

As redes sociais hoje fazem parte da vida da maioria das pessoas. Para alguns, ocupam grande parte do dia, integram o trabalho e funcionam como principal meio de comunicação com quem está longe. Para outras, ainda são um território pouco explorado, cercado de dúvidas e, por vezes, de insegurança. Entre as pessoas mais velhas, esse ambiente digital representa ao mesmo tempo oportunidade e desafio.

Trata-se de um espaço com grande potencial de convivência, expressão e aprendizagem, mas que também pode trazer riscos quando não há letramento digital suficiente. Inclusive, esse cuidado com segurança e golpes direcionados à população idosa já foi tema de outra matéria aqui no blog (https://tercadaserra.com.br/blog/cuidado-das-pessoas-mais-velhas-com-golpe/). Avançando essa conversa, é importante olhar agora para outro aspecto igualmente relevante, o impacto do uso das redes sociais na autoestima das pessoas mais velhas.

A presença digital pode favorecer a construção da própria narrativa, ampliar conexões entre gerações, estimular novos aprendizados e criar canais para compartilhar experiências acumuladas ao longo da vida. Ao mesmo tempo, exige orientação, mediação e uso consciente.

Nesta matéria, vamos explorar esses dois lados e entender também como o letramento digital oferece apoio e incentivo para um uso saudável das redes, fortalecendo a autoestima e o senso de pertencimento.

 

A presença crescente da pessoa idosa nas redes sociais

 

Nos últimos anos, as redes sociais deixaram de ser um território quase exclusivo de jovens e passaram a reunir públicos muito diversos. Entre as pessoas mais velhas, esse movimento tem crescido de forma consistente, impulsionado por fatores simples e muito humanos, como a vontade de acompanhar a família, conversar com amigos, ver fotos dos netos, recuperar contatos antigos e sentir-se mais presente na vida de quem está longe. Em muitos casos, a entrada nas redes acontece como continuidade de algo que já começou com o uso do celular para mensagens e chamadas de vídeo.

Esse acesso também foi acelerado por mudanças recentes no mundo, incluindo períodos de maior isolamento social durante a pandemia mundial devido ao COVID-19, em que a tecnologia se tornou uma ponte para manter vínculos e rotinas afetivas. Com isso, plataformas que antes pareciam distantes passaram a ser usadas de forma prática, para entretenimento, informação, participação em grupos e, gradualmente, para produção de conteúdo, como fotos, comentários e relatos pessoais.

É importante reconhecer que essa presença não é igual para todos. Existem pessoas idosas muito ativas digitalmente, que usam redes para aprender, acompanhar temas de interesse, participar de comunidades e até divulgar trabalhos e projetos. Ao mesmo tempo, há quem se sinta inseguro com a linguagem, com a velocidade das atualizações e com o medo de errar, de clicar em algo indevido ou de se expor. Por isso, quando falamos em redes sociais na velhice, estamos falando de um fenômeno amplo, com diferentes níveis de autonomia digital, e que precisa ser compreendido sem generalizações.

Esse crescimento, no entanto, traz uma pergunta central para o cuidado, e ela vai além do uso em si. O que muda na forma como a pessoa idosa se percebe e se sente quando passa a ocupar um espaço público digital, mesmo que em pequenas interações do dia a dia? É a partir dessa questão que entramos no próximo tópico, entendendo o que sustenta a autoestima no envelhecimento e por que esse tema é tão sensível e tão relevante.

 

O que sustenta a autoestima no envelhecimento?

 

Antes de avaliar o impacto das redes sociais, é importante entender o que chamamos de autoestima no envelhecimento. Autoestima não é apenas “sentir-se bem consigo mesmo”, mas uma percepção mais ampla de valor pessoal, competência, pertencimento e dignidade. Ela se constrói ao longo da vida e, na velhice, pode ser profundamente influenciada por experiências sociais, familiares e culturais.

Em geral, a autoestima se fortalece quando a pessoa se sente reconhecida, respeitada e incluída. Isso envolve elementos muito concretos do cotidiano, como ser escutada nas decisões que dizem respeito à sua vida, ter espaço para expressar preferências, manter vínculos afetivos, sentir-se útil e participar de atividades que façam sentido. Em contrapartida, ela tende a se fragilizar quando a pessoa passa a ser tratada apenas pela lente da limitação, da dependência ou da doença, ou quando perde espaços de participação social.

Há também mudanças importantes que costumam acontecer nessa fase, como aposentadoria, luto, alterações no corpo, redução de mobilidade e mudanças no papel social dentro da família e da comunidade. Nem todas essas transições são negativas, mas elas exigem adaptação, e podem gerar inseguranças, principalmente quando vêm acompanhadas de isolamento e de perda de autonomia.

Por isso, falar de autoestima na velhice é falar de identidade. É falar de continuidade de história, de memória, de capacidade de aprender e se reinventar, de sentir-se pertencente ao presente e não apenas ao passado. E é exatamente aqui que as redes sociais entram como um ponto de interesse. Elas podem funcionar como ponte para vínculos, expressão e reconhecimento, mas também podem amplificar comparações, inseguranças e sentimentos de inadequação, dependendo da forma como são usadas e do suporte disponível.

 

Efeitos positivos das redes sociais na autoestima da pessoa idosa

 

Quando usadas de forma consciente e com apoio adequado, as redes sociais podem se tornar um espaço de fortalecimento emocional e social para pessoas mais velhas. Isso acontece porque elas ampliam possibilidades de conexão, expressão e participação, três dimensões muito ligadas à autoestima no envelhecimento.

Um dos benefícios mais evidentes é a manutenção de vínculos. Para muitas pessoas idosas, a distância física da família e de amigos é um fator que fragiliza o dia a dia. As redes sociais ajudam a reduzir essa sensação de afastamento ao permitir contato frequente, ainda que breve, por meio de mensagens, comentários, chamadas e interações simples, como ver fotos e acompanhar acontecimentos do cotidiano. Essa presença contínua, mesmo que digital, pode reforçar pertencimento e diminuir a sensação de isolamento.

Outro aspecto importante é a possibilidade de expressão e construção de narrativa. O ambiente digital oferece um espaço em que a pessoa idosa pode compartilhar opiniões, memórias, histórias e aprendizados, e pode fazer isso no seu ritmo. Há algo poderoso nisso, porque a autoestima também se sustenta pela percepção de que a própria voz importa. Quando alguém publica um relato, participa de um grupo de interesse ou comenta em uma conversa, está afirmando presença e identidade, e não apenas consumindo conteúdo.

As redes também favorecem o aprendizado e a curiosidade. Seguir páginas sobre temas de interesse, acompanhar novidades culturais, aprender receitas, conhecer exercícios, explorar hobbies e descobrir conteúdos educativos cria estímulos diários que reforçam autonomia e confiança. Para pessoas que se sentem desafiadas por mudanças no mundo, perceber que ainda é possível aprender algo novo ajuda a fortalecer a autoimagem e a sensação de competência.

Além disso, redes sociais podem apoiar conexões intergeracionais. Quando a pessoa idosa participa do mesmo ambiente digital que filhos, netos e jovens da família, tende a se sentir mais incluída nas conversas do presente, reduzindo a impressão de que está “fora” do mundo atual. Isso não depende de estar em todas as plataformas ou entender todas as tendências, mas de ter um canal ativo de convivência.

Por fim, há o aspecto do reconhecimento. Curtidas, comentários e mensagens podem funcionar como pequenos sinais de validação social. Quando essa validação é compreendida com maturidade e não se torna dependência, ela pode contribuir para fortalecer autoestima, especialmente em pessoas que vivenciam redução de interações presenciais.

No próximo tópico, vamos olhar para o outro lado com o mesmo cuidado: em quais situações as redes podem prejudicar a autoestima, aumentar inseguranças ou expor pessoas idosas a experiências negativas, e como reconhecer esses sinais no cotidiano.

 

Riscos e impactos negativos na autoestima, quando a rede deixa de ser apoio

 

Ao mesmo tempo em que as redes sociais podem ampliar vínculos e fortalecer autoestima, elas também podem fragilizar a forma como a pessoa idosa se percebe, especialmente quando o uso acontece sem orientação, com pouca segurança digital ou em momentos de maior vulnerabilidade emocional. O ponto central aqui não é demonizar a tecnologia, mas reconhecer que a experiência digital também tem efeitos psicológicos e sociais, e que esses efeitos podem ser mais intensos quando há solidão, luto, insegurança com o corpo ou necessidade de validação.

Um dos riscos mais comuns é a comparação social. Nas redes, as pessoas costumam mostrar recortes idealizados da vida, como viagens, conquistas, aparência e momentos felizes. Para quem já vive mudanças naturais do envelhecimento e, muitas vezes, enfrenta perdas e limitações, esse contraste pode gerar sensação de inadequação. A pessoa pode começar a se perceber como menos interessante, menos capaz ou menos “vivendo”, mesmo que esteja em uma rotina saudável e compatível com sua realidade. Em vez de inspiração, o conteúdo vira cobrança silenciosa.

Outra questão delicada é o impacto na imagem corporal e na autoaceitação. O envelhecimento do corpo é parte natural da vida, mas a internet pode reforçar padrões de juventude, produtividade e aparência que não representam a diversidade real do envelhecer. Quando a pessoa idosa passa a se expor a conteúdos que valorizam apenas um modelo de beleza ou sucesso, pode sentir vergonha, desconforto com a própria imagem e desvalorização de si, especialmente se já existe histórico de baixa autoestima.

Também existe a frustração com reconhecimento digital. Para algumas pessoas, curtidas e comentários começam a funcionar como medida de valor pessoal, e quando o retorno é baixo, surge a sensação de invisibilidade ou rejeição. Isso é particularmente sensível quando a rede se torna uma das poucas fontes de interação social. O que era um canal de conexão passa a ser um termômetro emocional, e isso merece atenção.

Há ainda um risco relacionado ao excesso de informação, sobretudo quando o conteúdo consumido gera ansiedade. Notícias alarmantes, discussões agressivas, discursos de ódio e polarização podem afetar diretamente o bem-estar e a autoestima, trazendo sensação de insegurança, irritação ou medo. Para algumas pessoas, esse tipo de exposição diária piora o humor e reduz disposição para interações reais.

E, embora sua introdução já tenha apontado esse tema em outra matéria, não dá para falar de redes sem mencionar a vulnerabilidade a golpes, manipulações e enganos. A experiência de ser enganado, constrangido ou exposto pode ter efeito emocional importante, incluindo vergonha, culpa e retraimento social. Muitas pessoas idosas deixam de usar tecnologia depois de uma experiência negativa, não por falta de interesse, mas por medo de reviver aquele constrangimento.

O que todas essas situações têm em comum é que elas mostram que o uso das redes precisa ser acompanhado de letramento digital e de um olhar de cuidado. No próximo tópico, vamos explorar como famílias, equipes e residenciais podem atuar como mediadores, criando um uso mais seguro, equilibrado e protetor da autoestima.

 

Redes sociais podem ser uma ponte importante para pertencimento, expressão e conexão na velhice, desde que o uso seja orientado, seguro e alinhado ao bem-estar de cada pessoa. Com apoio, letramento digital e acompanhamento, é possível reduzir riscos e aproveitar o melhor desse ambiente, fortalecendo a autoestima e as relações.

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